domingo, 26 de dezembro de 2010

DESEJOS


DESEJOS

Desejo a vocês...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade

O Analfabeto Político.

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Bertolt Bretch

Love betrayed

No more be griev'd at that which thou hast done:
Roses have thorns, and aliver fountains mud;
Clouds and eclipses stain both moon and sun,
An loathsome canker lives in sweetes bud.
All men make faults, and even I in this,
Authorising thy trespass with compare,
Myself corrupting, salving thy amiss,
Excusing thy sins more than thy sins are;
For t thy sensual fault I bring in sense -
Thy adverse party is thy advocate, -
And 'gainst myself a lawful plea commence:
Such civil wasis in my love and hate,
That I an accessary needs must be
To that swet thief which courly robs from me.

Shakespeare

Unconfessed Love

Weary with toll. I haste me to my bed,
The dea repose for limbs with travel tir'd;
But then begins a journey in my head
To work my mind, when body's work's expir'd:
For then my thoughts - from far where I abide -
Intend a zealous pilgrimage to thee,
And keepmy rooping eyelids open wide,
Looking on darknesswhich the blind do see:
ave that my soul's imaginary sight
Presents thy shadow to my sightless view,
Which like a jewel hung in ghastly night,
Makes black night beauteous and her old face new.
Lo I thus, by day my limbs, by night my mind,
For thee, and for myself no quiet find.

Shakespeare Sonnet

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

She Walks In Beauty: Não me deixes!

She Walks In Beauty: Não me deixes!

Não me deixes!

Debruçada nas águas dum regato
A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava...
"Ai, não me deixes, não!

Comigo fica ou leva-me contigo
Dos mares à amplidão,
Límpido ou turvo, te amarei constante
Mas não me deixes, não!"

E a corrente passava; novas águas
Após as outras vão;
E a flor sempre a dzer curva na fonte:
"Ai, não me deixes, não!"

E das águas que fogem incessantes
À eterna sucessão
Dizia sempre a for, e sempre embalde:
"Ai, não me deixes, não!"

Por fim desfalecida e a cor murchada,
Quase a lamber o chão,
Buscavainda a corrente por dizer-lhe
Que a não deixasse, não.

A corrente impiedosa a flor enleia,
Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
"Não me deixaste, não!"

Gonçalves Dias

Inscrição

Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar.
Por que havemos de ser unicamente humanos,
Limitados em chorar?

Não encontro caminhos
Fáces de andar.
Meu rosto vário desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.

E por isso levito.
É bom deixar
um pouco de ternura e encanto indiferente
de herança em cada lugar.

Rastro de flor e estrela,
Nuvem e mar.
Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido:
a sombra é que vai devagar.

Cecília Meireles

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Falando sobre o 'TempO'

Há alguns anos ministrei aulas de Literatura na escola estadual em que eu já ministrava Língua Estrangeira Moderna- Inglês(e ainda sou dona da cadeira no vespertino).

Alguns dias atrás meu marido trouxe o restante da mudança do nosso apartamento. Junto veio a maleta tipo 007 que eu usava pro meu trabalho. Minha filha veio trazendo a maleta e já pedindo para si. Quando a abri... pude reecontrar meu material de Literatura das aulas que ministrei em 2001 a 2003! QUANTA SAUDADE!!! Tudo registrado!!! Os poemas, os nomes dos alunos pra prova oral (que era declamar uma poema de determinado poeta), e, por fim, a coletânea de poemas que eu fiz para os alunos. Tudo certinho...

Emocionei-me ao encontrar tais poemas e, mais, o poema "O Tempo" do meu professor de Língua Latina da Faculdade de Letras (UCBD), Naôr Rocha.

A minha turma foi a última turma dele. Ele veio a s aposentar.

Um professor que me inspirou no magistério, na ministração das aulas, na transferência de conhecimentos para os alunos.

Eu o estimo muito.

E, aqui está um dos seus milhares de trabalhos. O poema 'O Tempo' que tanto amo.

Salve MEU PROFESSOR NAÔR ROCHA!!!

O Tempo

O tempo, às vezes, de tempo em tempo,
A gente reclama que não tem tempo
Para algo fazer que necessite de tempo
Sendo que reclamar já é dispor de tempo

Então a gente faz um apelo ao tempo,
Que nos dê um pouco mais de tempo
Para que, com o correr do tempo,
A todos aos afazeres tenhamos tempo
Mas, eis a resposta do tempo.

"Não fique aí a me implorar tempo.
Porque perdem tempo, esperando por tempo"

E constatando a veracidade do tempo
A gente verifica a grande perda de tempo
Que se gastou a falar de tempo.

Autor: Naôr Rocha Guimarães (1964)